IV Workshop de Chondrichthyes do NUPEC
Jornalista: Christina Amorim
Se o grito de alerta nos anos 70 foi de “Salvem as baleias”, hoje os cientistas estão preocupados com a conservação dos tubarões e raias. Com uma imagem nada simpática na mídia, esses grandes predadores, no ápice da cadeia alimentar, com o corpo feito de cartilagens ao invés de ossos, têm características que os tornam mais suscetíveis às ações predatórias da pesca, como maturação tardia, crescimento lento, capacidade de gerar poucos filhos.
Como evitar o declínio das populações dos elasmobrânquios, classe de peixes a que pertencem tubarões, raias e as raras quimeras, foi um dos assuntos em debate no IV Workshop do Núcleo de Pesquisa e Estudo em Chondrichthyes (Nupec), de 8 a 11 de outubro. O coquetel de abertura reuniu cerca de 80 pessoas.
Com a ampliação do mercado da carne de tubarões e suas barbatanas, há dez espécies consideradas sob ameaça de extinção. Acredita-se que 73 milhões de tubarões são mortos ao ano, apenas para o comércio de suas barbatanas.
Na abertura o professor Ricardo Rosa, da Universidade Federal da Paraíba apresentou a palestra Conservação e importância dos elasmobrânquios marinhos e continentais no Brasil.
No Brasil há quatro espécies de tubarões e uma de raia ameaçadas de extinção, quatro espécies de tubarões sobreexplotadas. Especialistas de diversas partes do Brasil estiveram presentes ao encontro. O declínio das populações de elasmobrânquios foi discutido em mesa redonda com os professores Alberto Amorim, Carlos Arfelli, Venâncio Azevedo e Gonzalo Velasco.
Algumas das sugestões apresentadas para conter o declínio das populações dessas espécies, incluem estímulo às pesquisas e controle estatístico, diminuição do esforço de pesca, proteção dos juvenis através de seletividade das artes de pesca, combate à poluição.
Outros assuntos abordados foram: Desafios para conservação de elasmobrânquios no Brasil, pela. Patrícia Charvet Almeida; Biodiversidade de elasmobrânquios brasileiros, pelo Otto Gadig; Aspectos reprodutivos de tubarões e áreas de berçários, pelo Fábio Motta; A importância de museus e coleções para a conservação dos elasmobrânquios e Aspectos sócio-culturais das raias de água doce, pelo professor Manoel Gonzales; Aspectos alimentares dos elasmobrânquios, pelo Teodoro Vaske; Ecologia de Elasmobrânquios: adaptações e convergências, pelo Manoel Gonzales e Maria Cristina Odonne Franco;
Participaram do workshop professores e estudantes de diversas partes do Brasil. O Nupec realiza reuniões anuais intercaladas com as da Sociedade Brasileira para o Estudo de Elasmobrânquios-SBEEL. Assim os interessados na área de elasmobrânquios mantém seus conhecimentos atualizados.
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