Tubarões em Aquários
É possível manter espécies de alguns tipos de tubarões em sistemas fechados, como um aquário.
Os tubarões são peixes que exigem três aspectos que dificilmente podem ser atendidos: muito espaço, boa qualidade de água e temperatura baixa.
Extremamente resistentes no mar os tubarões necessitam de muito espaço para seu deslocamento.
Quase todas as espécies possuem movimento rápidos e grande velocidade o que acarreta um espaço físico elevado para sua manutenção.
Das poucas espécies que adaptam-se à aquários todas exigem pelo menos um aquário com mais de 2 metros de comprimento.
Os tubarões possuem estruturas sensoriais, na cabeça, chamados de Ampolas de Lorenzini, que são responsáveis por um de seus mecanismos de orientação.
Se o aquário for pequeno ou estreito ele baterá constantemente este focinho nos cantos e reduzirá circunstancialmente sua vida.
Para tubarões é recomendado recintos sem cantos ou aquários sextavados.
Assim ele desloca-se facilmente sem tocar os cantos.
A ornamentação não deve ocupar muito espaço e deve estar muito bem presa pois, quando fareja alimento, entra em tocas ou revira a ornamentação até achar o alimento.
Além do volume grande a qualidade de água é de vital importância.
Eles são sensíveis a taxas elevadas de amônia e podem morrer em poucas horas.
Um skimmer ou mais, de capacidade superior ao sistema, são fundamentais.
Quando um tubarão alimenta-se ele dilacera o alimento e, muitas vezes tem o comportamento de defecar.
Isto acarreta uma elevação repentina de matéria orgânica no sistema e uma tendência a formação de altos índices de amônia.
Quando um tubarão come o skimmer parece um copo de cerveja quente, transbordando espuma de amônia.
Um aquário para tubarões é um investimento caro para a manutenção de poucas ou somente uma espécie.
O custo do equipamento e do tanque é grande e o maior problema reside em outro equipamento também dispendioso: o refrigerador (chiller).
Os tubarões mantidos em aquários com temperatura superior a 28 graus ficam agitados e seu metabolismo acelerado.
Seu organismo trabalha em estresse contínuo e sua vida média também é muito reduzida.
Problemas de hemorragia são frequentes quando a temperatura beira constantemente os 29 ou 30 graus.
Quanto maior o volume de água menor é a interferência da temperatura externa e menor é o aquecimento produzido pelo próprio equipamento.
Bombas submersas geram elevação da temperatura da água e se associadas ao calor das lâmpadas...
Ou seja para manter um tubarão em casa ou no escritório é preciso um bom e grande aquário.
Se tiver pequeno volume de água, menos de 2 mil litros, precisará de refrigeração.
As espécies encontradas e que mais adaptam-se a aquários são aquelas que possuem o palato móvel (osso do céu da boca) e que, consequentemente, conseguem respirar mesmo parado, pois possuem um mecanismo de bombeamento de água sem que tenham que nadar para a frente de boca aberta.
A seguir os principais tubarões que são comercializados para tanques "caseiros":
LEOPARD SHARK
Triakis semifasciatus
Originário do norte do Oceano Pacífico (junto à costa americana) atinge cerca de 2 metros e é muito ativo.
Espécie muito comum nas águas que cercam a Ilha de Alcatraz (na Califórnia), sendo uma das razões pela qual o governo americano tinha, lá ,instalado um presídio, hoje transformado em museu.
Possui nado rápido e necessita de espaço para nadar.
É muito resistente se mantido à baixas temperaturas (em torno dos 25 graus).
De colorido prateado e ventre claro, possui desenhos arredondados nas laterais e tem o hábito de parar no fundo quando está assuntado ou descansando.
Alimenta-se bem de pedaços de peixe, camarões e até tentáculos de lula.
Precisa de escuridão à noite para "dormir".
Comem quase todos os peixes e invertebrados que são colocados juntos.
Existem vários relatos de acidentes fatais a seres humanos.
BANDED SHARK (ou BAMBOO SHARK)
Chiloscyllium punctatum
Nativo do Oceano Índico e Pacífico este tubarão é ovíparo e seus ovos, na verdade envoltório pergamináceo do embrião, são facilmente encubados em aquários.
Inofensivos ao homem vivem em arrecifes de coral e podem permanecer horas fora da água, durante uma maré baixa.
Alimenta-se de crustáceos, peixes e moluscos que captura entre as fendas das rochas.
Os ovos são facilmente encontrados em lojas especializadas.
São abundantes e não estão ameaçados de extinção.
Porém a cada ano mais e mais ovos são coletados, principalmente nas Filipinas.
Atingem no máximo 1,10 metros e tem hábito noturno.
Passam a maior parte do tempo sobre o solo e chegam a "caminhar" com auxílio de suas nadadeiras peitorais e anais à procura de alimento.
Os filhotes e jovens possuem faixas pretas intercaladas de brancas que vão descolorindo conforme ficam adultos, adquirindo uma coloração amarronzada.
É a espécie mais resistente à temperatura alta e vivem muitos anos em aquários caseiros, atingindo uns 90 cm em poucos anos.
Os filhotes recém nascidos podem demorar a se adaptar e algumas dicas podem ser passadas aos interessados.
O cuidado com os ovos é igual a dos adultos: água fria, boa circulação e amônia zero.
São tímidos e podem ser facilmente incomodados por peixes anjos e grandes crustáceos.
NURSE SHARK ou LAMBARÚ
inglymostoma cirratum
Vive nos Oceanos Pacífico e Atlântico, inclusive Brasil.
É uma das espécies mais comuns em nosso litoral, principalmente em Fernando de Noronha.
Atinge facilmente os 3,5 metros, podendo ultrapassar os 4,5 metros.
Crescem com rapidez e alimentam-se com bastante agitação, aceitando bem alimento oferecido em sua boca.
Em aquários comem crustáceos e filés de peixe.
Têm o hábito de revirar o fundo e mexer na ornamentação o que faz do aquário um local diferente todos os dias.
Precisam de aquários grandes e podem, até pular fora da água quando farejam comida à superfície.
Apesar do tamanho não são agressivos mas existem acidentes fatais com mergulhadores que tentaram alimentá-los dentro do mar.
Quando comem, assim como todos os tubarões, engolem muita água junto e, praticamente, "aspiram" o alimento para dentro. São "estabanados" e quebram tampas do aquário, derrubam bombas e, às vezes, raspam as costas sobre o fundo para arrancar parasitas e rêmoras (peixes que vivem aderidos à pele dos tubarões e arrais).
HORN SHARK
Heterodontus sp.
Ocorrem no Oceano Pacífico junto à costa americana.
De hábitos similares ao Banded Shark, tem como característica espinhos salientes junto às nadadeiras dorsais, que funcionam como defesa a eventuais predadores.
Raramente atingindo um metro são pacíficos e possuem o focinho parecido com o de um porco, o que lhe valeu o nome popular de "tubarão-focinho-de-porco".
São ovíparos e de hábitos diurnos.
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